Postagens

Mostrando postagens de março, 2012

Melodiar

“Melodiar” Escrever é algo Subjetivo e único. Não se escreveria hoje Como se fosse ontem Ou amanhã. Implica no dia, Na hora, No espaço, No tempo. Pessoa, hoje, Não escreveria Os mesmos versos. Escrever é como uma onda Que nunca morrerá Na praia duas vezes - não a mesma. É algo que não se explica Que vem de dentro, Que vem de fora... Que não tem fórmula. É ver belo o feio, É descolorir uma manhã ensolarada, É colorir uma noite pálida. É não acreditar No que os olhos veem E criar um novo mundo Para aqueles que leem. É consolar um coração partido, É alegrar-se com o perigo, É ser pai, ser amigo... Ser falso, inimigo. Ser tudo, ser nada, Ser pobre, ter riqueza... Ter dúvidas e certezas... É iniciar no fim, É finalizar no início - sem esquecer-se do meio. É sentir, Sorrir, Chorar, Viver... Findar. Paulinho Meireles

Distração

“Distração” Vez por outra Vêm-me pensamentos diversos.  A minha cabeça parece Um emaranhado de cordas - entrelaçadas. Pego-me em pensamentos Que logo se vão Ao chegar mais outros... Não demora muito... Confundem-se todos. Uma leve tontura Me faz perceber O quanto sou louco, Mas logo... Perco-me em pensamentos - de novo. Paulinho Meireles

Poemar

“Poemar” Num dia triste e cansado, As palavras facilmente vão saindo Alinhando-se umas a outras Como se encontrassem seus pares. E como uma sintonia de instrumentos Que harmonizam uma canção, Vejo-me a pena, Rabiscando vocábulos Que me vêm chegando. Tenho medo de alegrar-me, Não os quero fugindo. Estremeço por dentro, Pareço ouvir uma prazerosa fúnebre melodia Que traz sonoridade No discorrer da minha cria. Paulinho Meireles

Disse me disse

“Disse me disse” Que pena... Menos vale conhecer Que ler rótulos Através de lábios alheios. Prováveis atitudes questionáveis Trazem prazer as rodas E os ventos são brandos - por essas bandas. E as ouças? Não perdem um detalhe. E a boca? Não se importa Em acrescentar alguns. E assim... Uma inverdade Passa a ser fato Quando muitas vezes dita. Que pena... Paulinho Meireles

garoa

“garoa” hum... que preguiçoso dia escurecem as ruas, os carros seguem mais lentos, os olhos piscam devagar um contagioso bocejar contamina a todos e da janela, olho o efeito de uma provável chuva sinto-me espreguiçar - lentamente. um cansaço inevitável uma vontade de nada fazer... um sono... Paulinho Meireles

Chegaste

“Chegaste” Quem acreditaria Que dia após dia Sem espera, sem pressa... Enfim, chegarias. Disfarçadamente, Envolveu-me em ti, Sem ao menos sentir, Deixei-me levar. Assim, sem pedir Entraste em mim. Inconsciente, vi-me Respirar-te... E como ar das montanhas Que entra num pulmão manchado Fez-se, então, a cura De um triste solitário. Paulinho Meireles